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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Teoria da Desintegração Positiva e a Teoria da Destruição Criativa

 

Tese

A Teoria da Desintegração Positiva (TPD) de Kazimierz Dabrowski e a Destruição Criativa de Joseph Schumpeter são formalmente análogas quando descritas como dinâmicas evolutivas de sistemas adaptativos complexos, diferenciando-se apenas por escala, substrato e mecanismo de controle.


1. Estrutura comum 

Ambas as teorias afirmam explicitamente:

  • estados estáveis não maximizam desenvolvimento

  • crises são funcionais, não patológicas

  • ruptura precede reorganização superior

Inferência lógica (estrutural)

Se abstrairmos o domínio empírico, temos o mesmo operador:

Estado estável → ruptura endógena → instabilidade → recombinação → novo patamar funcional

Isso é isomorfismo de processo.


2. Correspondência por nível de sistema

CamadaDabrowski (TPD)Schumpeter
Tipo de sistemaSistema psicológico individualSistema econômico
NaturezaComplexo, adaptativoComplexo, adaptativo
Fonte da rupturaConflito interno de valoresInovação empreendedora
MecanismoDesintegração hierárquicaObsolescência estrutural
SeleçãoValores mais elevadosTecnologias mais eficientes
ResultadoIntegração superiorNovo equilíbrio produtivo

👉 A lógica é idêntica: a permanência do velho impede emergência do novo.


3. Natureza como metamodelo

Ambas refletem um princípio natural mais geral, observável em:

  • evolução biológica (extinções → radiações adaptativas)

  • neuroplasticidade (poda sináptica → eficiência)

  • ecologia (distúrbios → renovação do ecossistema)

  • sistemas antifrágeis (stress → ganho estrutural)

Nesse sentido:

Dabrowski descreve evolução psicológica dirigida por valores
Schumpeter descreve evolução econômica dirigida por eficiência

Ambos são casos particulares de dinâmica evolutiva não-linear.


4. Onde entra a consciência

Inferência central

A consciência funciona como um acelerador evolutivo:

  • Na natureza:

    • seleção é lenta

    • aprendizado é distribuído

  • Em humanos:

    • a crise é internalizada

    • a simulação acontece antes da extinção real

    • o custo evolutivo é reduzido

A TPD pode ser vista como:

destruição criativa internalizada e consciente

O indivíduo “mata” estruturas internas (crenças, valores, identidades) antes que o ambiente o force a isso.


5. Diferença crucial (limite real, não trivial)

  • Schumpeter:

    • processo cego ao sofrimento

    • não há critério moral

    • progresso ≠ bem-estar

  • Dabrowski:

    • sofrimento é sinal funcional

    • direção normativa (valores superiores)

    • nem toda ruptura é positiva

Ou seja:

toda desintegração criativa é destrutiva,
mas nem toda destruição é desintegração positiva


6. Síntese conceitual 

A desintegração positiva é a versão psicológica consciente da destruição criativa,
operando em um sistema onde valores substituem preços como critério seletivo.

  • mercado → seleciona por eficiência

  • psiquismo → seleciona por valor

  • natureza → seleciona por adaptação

Mesma equação, funções-objetivo diferentes.

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