Tese
A Teoria da Desintegração Positiva (TPD) de Kazimierz Dabrowski e a Destruição Criativa de Joseph Schumpeter são formalmente análogas quando descritas como dinâmicas evolutivas de sistemas adaptativos complexos, diferenciando-se apenas por escala, substrato e mecanismo de controle.
1. Estrutura comum
Ambas as teorias afirmam explicitamente:
-
estados estáveis não maximizam desenvolvimento
-
crises são funcionais, não patológicas
-
ruptura precede reorganização superior
Inferência lógica (estrutural)
Se abstrairmos o domínio empírico, temos o mesmo operador:
Isso é isomorfismo de processo.
2. Correspondência por nível de sistema
| Camada | Dabrowski (TPD) | Schumpeter |
|---|---|---|
| Tipo de sistema | Sistema psicológico individual | Sistema econômico |
| Natureza | Complexo, adaptativo | Complexo, adaptativo |
| Fonte da ruptura | Conflito interno de valores | Inovação empreendedora |
| Mecanismo | Desintegração hierárquica | Obsolescência estrutural |
| Seleção | Valores mais elevados | Tecnologias mais eficientes |
| Resultado | Integração superior | Novo equilíbrio produtivo |
👉 A lógica é idêntica: a permanência do velho impede emergência do novo.
3. Natureza como metamodelo
Ambas refletem um princípio natural mais geral, observável em:
-
evolução biológica (extinções → radiações adaptativas)
-
neuroplasticidade (poda sináptica → eficiência)
-
ecologia (distúrbios → renovação do ecossistema)
-
sistemas antifrágeis (stress → ganho estrutural)
Nesse sentido:
Dabrowski descreve evolução psicológica dirigida por valores
Schumpeter descreve evolução econômica dirigida por eficiência
Ambos são casos particulares de dinâmica evolutiva não-linear.
4. Onde entra a consciência
Inferência central
A consciência funciona como um acelerador evolutivo:
-
Na natureza:
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seleção é lenta
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aprendizado é distribuído
-
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Em humanos:
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a crise é internalizada
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a simulação acontece antes da extinção real
-
o custo evolutivo é reduzido
-
A TPD pode ser vista como:
destruição criativa internalizada e consciente
O indivíduo “mata” estruturas internas (crenças, valores, identidades) antes que o ambiente o force a isso.
5. Diferença crucial (limite real, não trivial)
Schumpeter:
-
processo cego ao sofrimento
-
não há critério moral
-
progresso ≠ bem-estar
-
-
Dabrowski:
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sofrimento é sinal funcional
-
há direção normativa (valores superiores)
-
nem toda ruptura é positiva
-
Ou seja:
toda desintegração criativa é destrutiva,
mas nem toda destruição é desintegração positiva
6. Síntese conceitual
A desintegração positiva é a versão psicológica consciente da destruição criativa,
operando em um sistema onde valores substituem preços como critério seletivo.
-
mercado → seleciona por eficiência
-
psiquismo → seleciona por valor
-
natureza → seleciona por adaptação
Mesma equação, funções-objetivo diferentes.
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