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sábado, 20 de junho de 2026

O dilema moral do opressão congênita

Hoje me peguei com um dilema avaliando a coerência de uma posição: "se ambos tem condições sociais compatíveis, é "certo" ou "errado" um casal cis dividir a conta?"

Nunca vi sentido na divisão de papeis sociais e expectativas impostas pelo seu sexo.

Nunca senti justo que homem não cuide da casa, ou mulher não tenha a carreira que quer. Acho até que comecei a não gostar de assuntos como futebol, carros e todos os tipicamente masculinos, por conta dessa estrutura binária imposta. Resumidamente.

São coisas pequenas como quem usa azul e quem usa rosa; ou grandes como comportamento extremo machista, opressor, e violento. Seja a coisa por si só, ou por indiretamente fortalecer uma posição de dicotomia qualquer e, por fim, de um machismo estrutural.

E não se trata (apenas) de ser feminista, ou antimachista. É algo mais simples ainda, e abrangente, que é sobre reconhecer privilégios s obstáculos em um cenário desenhado como "jogo de soma zero". Se um tem mais, o outro tem menos. E isso está muito errado.

Ao mesmo tempo que isso tudo também é um ímpeto natural meu, quase problemático, por frequentemente me pegar ruminando sobre as várias considerações desses desequilíbrios em sistemas diversos. De ser extremamente contra o reducionismo de bipolarizar posições que naturalmente não são binárias.

Eu até tento, me esforço, mas reconheço que é difícil estourar todas as bolhas que fazemos parte.

Penso que o homem sempre pagar a conta em encontros é sim um ato que reforça essa dicotomia. Mas também penso que independente do que eu pratico, não vou transformar a sociedade. As mulheres vão continuar em uma situação desfavorável, até que o mundo se torne menos machista como um todo.

Então se eu não acho coerente um homem pagar a conta sozinho sempre, estaria aproveitando de uma estrutura a meu favor; sendo que essa estrutura tipicamente apenas me privilegia como um homem em uma sociedade machista?

Visto que é impossível que eu também fuja de todos os privilégios que tenho. Estou automaticamente aproveitando certas partes de uma sociedade machista. Ainda que eu seja contra, pratique e me posicione diferentemente.

É quase como um comunista que não consegue, absolutamente, sair do capitalismo para ser contra o capitalismo como alguém fora do sistema. Independente das minhas posições, eu faço parte do sistema.

Visto que é impossível que eu também fuja de todos os privilégios que tenho. Estou automaticamente aproveitando certas partes de uma sociedade machista.

Ainda que eu seja contra, pratique e me posicione diferentemente. Independente das minhas posições, eu faço parte do sistema.

Então, assumir certas responsabilidades dentro desse cenário de dicotomia do sexo, seria ao mesmo tempo algo que favorecesse algum equilíbrio nesse balança?

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