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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

esportes de amplitude

Estamos em tempos de transição. E tempos de transição não significam que as coisas estejam melhores, apenas que elas estão diferentes. 

Porém, o movimento na direção de algo diferente muitas vezes é necessariamente um movimento em direção a algo que ao menos se pareça melhor. A questão é que estamos acostumados aos padrões que sabemos reconhecer. 

Logo, o momento de transição, ao ser diferente, demonstra um padrão que nem sempre parece ser melhor. Eu arriscaria dizer que ele é sempre, ou quase sempre, minimamente melhor

E não necessariamente porque já esteja melhor, e sim porque aponta para um espaço de melhoria que o estado anterior já não oferecia.

Mudamos de padrões e saímos da zona de conforto não por pouca coisa.
Existe um custo de transição. 

Existe fricção, perda temporária de eficiência, instabilidade, sensação de regressão. 

No momento de mudança, é comum comparar o sistema antigo no seu melhor momento com o sistema novo ainda no início da sua formação. 

Essa comparação quase sempre faz o novo parecer pior.

Mas a questão é que esses novos padrões, no momento de transição, estão apenas no início da sua potencialidade.

A energia de transição necessária para sair do estado A para o estado B sempre deve ser considerada. E, por isso, os cenários novos necessariamente precisam oferecer alguma perspectiva de melhoria, ainda que mínima, ao menos no curto ou médio prazo. Caso contrário, o custo da mudança simplesmente não se justificaria.

Então também é esperado que exista uma margem de melhoria, mesmo que pequena - por mais que a nossa percepção sobre ela não seja tão boa. 

Isso acontece porque estamos mais acostumados a reconhecer o padrão positivo nos sistemas anteriores e não no sistema novo. 

Sabemos onde estavam os sinais de funcionamento, os indicadores de valor, os pontos de estabilidade.
No novo sistema, esses sinais ainda não estão claros, ou ainda não sabemos como identificá-los.

À medida que vamos nos acostumando com o sistema novo, duas coisas acontecem ao mesmo tempo:

Primeiro, começamos a perceber melhor os padrões e os pontos positivos. 
Segundo, começamos a ajustar e evoluir esse sistema, reduzindo suas ineficiências iniciais e explorando melhor suas possibilidades.

Ou seja, não é apenas a nossa percepção que muda. 
O próprio sistema melhora.

Esse processo leva o sistema em direção ao seu platô. E esse platô, necessariamente, precisa ter uma amplitude maior do que o sistema anterior. 

Caso contrário, a transição não teria feito sentido.

O desconforto da transição vem justamente dessa diferença entre duas coisas: a percepção de valor e o potencial de valor. 

No sistema antigo, percebemos muito valor, mas o espaço de melhoria já é pequeno. No sistema novo, percebemos pouco valor, mas o espaço de crescimento é maior.

E é por isso que saímos da zona de conforto, afinal. 

Porque, no fundo, toda transição é uma troca: aceitamos uma eficiência temporariamente menor em troca de uma amplitude maior.

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